quarta-feira, 23 de maio de 2012

Meus olhos - Neruda





Meus Olhos


Quisera que meus olhos fossem duros e frios
e que ferissem fundo dentro do coração
E que nada expressassem dos meus sonhos vazios,
fosse esperança ou ilusão.

Indecifráveis sempre a todos os profanos
do fundo e suave azul da tranqüila safira,
Incapazes de ver os pesares humanos ou
a alegria de viver.

No entanto meus olhos são cândidos e tristes,
não como eu os desejo nem como devem ser
É que estes olhos meus é o coração que os veste
e seu desgosto fá-los ver.

Pablo Neruda

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